Cadê o homão da porra pelo qual me apaixonei?

“Cadê o homão da porra pelo qual me apaixonei?” é a pergunta que não sai da sua cabeça, não é?

É a questão que se faz ao notar que o cara cheiroso, educado e bem-vestido pelo qual se apaixonou, hoje, anos de relacionamento depois, nem sequer corta as unhas dos pés e os pelos do saco. Acertei?

Pois saiba que não está sozinha: é apenas uma das muitas mulheres que, apesar de terem dito “sim” a um príncipe, quando voltam do trabalho topam com um cidadão cada dia mais sapo (sapo-boi mesmo, nada a ver com o termo “sapão” que vem sendo usado por aí como adjetivo a gostosões).

Se antes ele escolhia a melhor roupa para sair com você, hoje mete o primeiro pano carcomido que encontra sob a cama, a cueca mais frouxa, nem sequer toma banho; isso quando não vai direto do futebol, com direito a camisa de time suada, bafão de cerveja e aquele chinelão de tio churrasqueiro que virou moda entre os rappers leite com pera, né? Tô ligado.

Mas o pior mesmo, aquilo que mais dá corda à sua frustração, não é o desleixo físico – nem mesmo os quinze quilos que ele ganhou devorando picanha feito ogro -: são as atitudes que ele parou de ter, o “tanto faz” que agora o resume; fazendo com que você se sinta invisível como a maçã vendida no McDonald´s, tão longe dos holofotes quanto o baterista do Maroon 5.

“Por que me apaixonei por esse trapo humano?” é o que rola em sua cabeça… “Como foi que me apaixonei perdidamente!?”

Na hora da conquista, nos primeiros jantares à luz de velas e noites tagarelas no boteco, ele mapeava suas pintas, levantava sua bola a níveis estratosféricos e ouvia atentamente cada relato seu; hoje só vai de “aham”, nem vira o rosto em sua direção quando você está contando algum causo ou desabafando – o que é ainda mais grave.

E nas vezes em que se apruma toda para ele, quando soma sua menor calcinha ao mais vermelho dos batons, ele não nota, o maldito não tira os olhos da TV; às vezes, até, pede licença, diz que está atrapalhando, que o lance é importante.

“Pênalti para o Timão, porra!”, ele grita enquanto você tira a maquiagem que fez na tentativa de acordá-lo. Mas não adianta, ele é um dos muitos idiotas que não entende a mais básica de todas as regras de uma relação: a conquista nunca pode parar, nem depois das Bodas de Ouro. Nunca!

E antes que alguém me chame de exagerado, acreditando que conquistar se resume a servir café de realeza na cama todos os dias, faço questão de deixar bem claro: a conquista é uma soma de pequenas e constantes atitudes que demonstram à parceira o quanto você dá valor à relação e faz questão de continuar percorrendo a estrada da vida ao lado dela. Simples assim; complexo para alguns, no entanto.

Aos seres que relaxam totalmente depois da conquista, um recado: você não precisa se manter no peso que estava quando começaram a namorar; engordar com o passar do tempo é natural, afinal!

O metabolismo fica preguiçoso com o passar do tempo, a quantidade de jantares a dois cheios de guloseimas tende a aumentar e blábláblá… Mas nada justifica o relaxo total, saca?

Tornar-se um porco sem a mínima vaidade que arrota sem parar só demonstra o quanto você não liga nem a você, coisa que, se pensar bem, faz com que fique pra lá de desinteressante.

Ou você consegue manter a atração por alguém que nem sequer se ama, que age como se estivesse sozinho numa ilha deserta? Duvido.

E se acha que o coração da moça com quem divide a cama vai passar o resto da vida se nutrindo dos elogios que fez quando se conheceram, quando a Sasha ainda tinha dentes de leite, está totalmente enganado: por mais que ela o ame, precisará de provas atuais para crer que ainda faz questão dela, ou seja, aquele bilhete que escreveu no dia em que começaram a namorar, que já está quase apagando, não vale mais. Até vale, aliás, mas só se vier acompanhado por gestos que demonstram o quanto o seu amor não perdeu a força, saca?

No bilhete você disse que havia encontrado a mulher da sua vida e tudo mais, não disse? Então, antes que seja tarde, faça com que ela se sinta assim, seu Zé ruela!

“Cadê o homão da porra pelo qual me apaixonei?” é a pergunta que não sai da cabeça dela, irmão! Mostre que ainda está aí!

Numa terça qualquer, dessas em que nada costuma acontecer, vista uma beca invocada, dê um trato na barba (não tire tudo, por favor! 98% dos homens ficam melhores de barba) e a leve de surpresa para um restaurante que ela ama, e depois, em vez de voltarem para casa, passem num motel e se esfreguem de jeito, ou no carro mesmo caso estejam sem grana como a maioria dos tupiniquins.

Que tal? E não pare com as demonstrações no dia seguinte, nem no outro, nem no mês seguinte… Continue agindo de maneira capaz de fazer com que ela, a moça que felizmente entrelaçou a vida com você, continue a acreditar naquilo que disse um dia, quando estava embriagado por ela.

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Ricardo Coiro

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