Você tem identidade?

Por muito tempo naveguei em busca de uma identidade.

Igualzinho a você, sentindo-me turvo, perguntava “Quem sou eu?” ao meu reflexo sempre embaçado; que me respondia com gagueiras que logo viravam ásperos silêncios.

Então, decidido a acabar com a falta de personalidade que pensava ter, virei camaleão: passei a imitar seres que, para mim, serviam de exemplo, que eram algo de fato.

Imitá-los, porém, só aumentou a parte vazia de mim… Tornei-me uma sombra sem peso nem independência, uma figura plástica feita de pedaços roubados, um eterno projeto daquilo que eu desejava ser e teimava em não admitir que nunca seria.

No ápice do meu buraco, no entanto, depois de um porre que me fez vomitar as tripas e, junto com elas, conteúdo interessante que nem sabia ter, eu percebi meu erro: acreditava não ser nada porque desconhecia as infinitas possibilidades do “ser”.

Eu não me parecia nem um pouco com aqueles que eram exaltados, com o padrão de herói que havia engolido desde que deixei o útero, e, por isso, acreditava não ter recheio algum. Mas eu tinha! Todos – inclusive você, viu? – têm… Só não era como o deles…

E quer saber? Descobrir as toneladas de matéria que havia em mim, ironicamente, deixou-me leve como nunca tinha me sentido.

Estava tudo ali, dentro de mim. Sempre esteve. Ufa!

Hoje sei quem eu sou e, principalmente, que sou muito mesmo sendo diferente de muitos. E o mais importante: quando percebo que estou me afastando de mim, não me volto a espelhos nem peço opiniões: reencontro-me olhando para dentro, para minha essência; à substância que – apesar de imperfeita – aprendi a admirar e que prometo defender até a morte.

Não ter/ser o mesmo que os outros não significa que você não tem/é nada, saca? Saca Mesmo?  Então me responda: qual é a sua identidade? E se não conseguir, mergulhe em si. Pois é lá que ela está, juro.

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