Consciência: chegou a hora de ligar a sua!

Ontem foi Dia da Consciência Negra, data extremamente importante num país onde os negros, que representam mais da metade da população, ganham menos do que os brancos, têm dificuldade para conseguir espaço no cinema e literatura, sofrem mais do que o resto com a violência (principalmente mulheres e jovens) e por aí vai, infelizmente.

Hoje, porém, quero ir um pouco além: acordei sentindo necessidade de falar sobre consciência, de todos os tipos, especialmente do quanto adquiri-la – ou ampliá-la, caso já tenha – é imprescindível. Sinto-me rodeado por seres que agem no automático, eis a razão. Para todo canto que olho, sem exceção, a mesma situação: robôs caminhando sem sequer questionarem as rotas que seguem; papagaios repetindo bordões do século passado sem a menor preocupação com veracidade das informações ou com o impacto negativo daquilo que propagam sem moderação.

Quem nunca agiu de maneira inconsciente, apenas por hábito, cultura ou outro fator de influência do tipo? Eu já, sem a menor dúvida.Ainda ajo. A questão que comecei a me fazer – e que pretendo que também se faça! -, porém, é: continuo a ignorar as consequências dos atos que cometo sem ao menos questionar? Ou devo começar a pensar maior, no todo, com o objetivo de evitar atitudes capazes de prejudicar outras pessoas e/ou o ambiente em que vivo?

A resposta me parece mais do que clara: chegou a hora de ligar de vez o botão da consciência. E sugiro que façam o mesmo; que parem de boiar na onda, junto à manada que, sem saber aonde vai e o que provoca, segue pensando no próprio umbigo, apenas.

Não há fórmula mágica nem receita de bolo, é verdade. Mas, se está mesmo a fim de fazer a diferença, recomendo que comece avaliando as palavras, expressões e piadas que têm saído da sua boca. Afinal, sem perceber, graças a elas pode estar contribuindo à perpetuação de preconceitos e desigualdades que, mesmo não tendo influência direta em sua vida, destroem a existência de outros. E você não quer isso, quer? ÓTIMO! Pois entender a necessidade de colocar o bem-estar do todo acima da sua própria satisfação e comodidade é, a meu ver, um grande indício de que o sinal da consciência já está pegando aí, onde quer que você esteja.

Chamar um cabelo crespo de “cabelo ruim”, por exemplo”, demonstra que não tem consciência da diferença entre “característica” e “defeito”, saca? Evidencia, também, que não tem consciência do quanto uma definição aparentemente banal contribui para que as novas gerações entrem em contato com o pior legado das gerações passadas, com a parte mais nojenta da nossa história. Compreende?

O mesmo raciocínio pode ser aplicado às “piadinhas” de mulheres (“Elas não sabem fazer baliza!) que faz, e que vai tirar do seu repertório depois deste texto; anedotas que, por falta de consciência dos desníveis que ajudam a manter, considera inofensivas; tolices que seu pai, avô e, até, mãe, também repetem, certo? Mas ter consciência, muitas vezes, é questionar os atos daqueles que amamos de maneira atômica, enxergando-os, antes de tudo, como os humanos falhos que são – e não como heróis, como tende a acontecer.

Depois de uma boa revisada naquilo que sai da sua boca, sugiro que reavalie suas ações. Comece pela seguinte pergunta: quais mudanças posso fazer pelo bem-estar do planeta? E se estiver disposto, como creio que está, e se esforçar para entender o impacto das suas atitudes no coletivo, verá que pode agir de maneira mais consciente – e menos egoísta – em diversas áreas.

Não sabe o que quero dizer com “se esforçar para entender”? Simples: aproxime-se de gente consciente, invista suas energias em conteúdos ricos à mente – e não apenas na distribuição frenética de confetes virtuais (coraçõezinhos e polegares) -, exercite sua empatia, ou seja, coloque-se no lugar do outro antes de cada ação…

Dá preguiça de ir a pé ao supermercado, eu tô ligado. Mas sabia que deixar o carro em casa é uma forma de diminuir a poluição da Terra? O que você também pode fazer deixando de utilizar canudinhos plásticos, por exemplo. E não me venha com “mas todo mundo vai de carro, usa canudo e bláblálblá”, pois você já começou a pensar grande, lembra? E em vez de usar os desprovidos de consciência como parâmetro, deve se espelhar em gente disposta a tornar o mundo um lugar melhor, por mais utópico que isso possa lhe parecer, mesmo que precise se colocar em segundo plano em alguns momentos. Pois abrir mão de certas coisas será necessário na aquisição da consciência, não há escapatória.

E não se engane: ter peso na consciência, apesar de indicar que tem uma, não é o bastante. Porque há muita gente que não consegue parar de agir de maneira egoísta nem com a consciência pesando toneladas.

Ligue sua consciência, mas não pare por aí: use-a. Transforme-a em tijolos para grandes mudanças. Pense em maneiras de repassá-la a pessoas que, como você, querem ser muito melhores do que são; mesmo que precisem perder benefícios para que outros ganhem o mínimo de dignidade; mesmo que tenham de fazer sacrifícios em nome de uma casa que não demorará a ser destruída se continuarmos agindo feito máquinas individualistas e imediatistas

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