Precisamos falar de relacionamentos abusivos

Eu poderia aproveitar o dia para fazer um texto cheio de elogios e homenagens às mulheres. No entanto, percebo que há um tema que precisa ser abordado com mais urgência: relacionamentos abusivos.

Quando o assunto vem à tona, a maioria de nós só consegue pensar em abusos físicos. No entanto, além de sopapos e puxões pelo braço, o desejo (ou tentativa) de exercer poder sobre a parceira – principal característica de um relacionamento abusivo – muitas vezes aparece de maneiras mais sutis e fisicamente menos danosas – o que não quer dizer que machucam menos ou que são mais toleráveis, não se engane! Porque feridas psicológicas podem demorar vidas para cicatrizar.

A verdade é que muitas mulheres nem sequer sabem que vivem um relacionamento abusivo. “Ele nunca me bateu”, elas dizem. E não se dão conta de que sofreram abusos violentos nas muitas vezes em que tiveram seus limites ultrapassados e direitos rasgados devido a comportamentos possessivos, manipuladores e controladores de seus parceiros.

“Você não vai sair vestida assim!”, por exemplo, é uma forma de abuso.

“Quero que me mostre as suas mensagens agora!” é outra.

“Com aquela piranha? Não vai!”, também é.

“Se quer ir, tudo bem. Depois não reclama!” também.

“Não vai me dar a sua senha? Tem certeza?” também.

“Você já saiu com suas amigas na semana passada. Hoje é dia de ficar comigo, não quero nem saber!” também.

“A culpa é sua! E sabe por quê? Porque está louca. Pirada! Não sabe nem onde deixou a carteira e agora quer que eu confie em você, essa é boa!” também.

“Com quem você vai, hein? Vai mais alguma mulher no carro? De onde o conhece, posso saber?“ também.

Viu só como existem diversas maneiras de abuso que vão muito além do tapa? E o mais preocupante é: elas fazem parte da rotina de muitas relações. Talvez, até, da sua. Não é mesmo?

Por isso, se percebeu que seu parceiro tem feito de tudo e mais um pouco para limitar sua liberdade e independência, pelo seu bem, caia fora o quanto antes. E se ele disser que você não vai sobreviver longe dele ou algo do tipo, tentando fazer com que se sinta totalmente dependente e incapaz de caminhar com as próprias pernas, saiba que isso é uma grande mentira, uma armadilha feita somente para você se sentir incapaz de se libertar.

Você pode ser livre, sim. Você é livre, aliás! Aí dentro, independente do que declararem a você, há tudo que precisa para ser feliz.

E se bater a dúvida, lembre-se: quem ama de verdade oferece asas, não fica tentando podá-las. O amor, diferente da possessividade – que gera culpa e outros sentimentos pesadíssimos -, deixa tudo mais leve.

Observação: no próximo Dia da Mulher, espero não precisar respostar este texto.