Por onde anda o Ricardo Coiro?

Caro editor do Estado de São Paulo, tudo bom?

Como sei que as notícias andam muito repetitivas e sem graça – só Trump querendo guerra com ditador maluco e político brasileiro afanando o povo -, sugiro que escreva sobre meu sumiço.

Sabe o que é? Acabei de lançar meu terceiro livro e preciso muito vendê-lo, tanto que estou disposto a dar uma de “menino do Acre”. Ou acabarei pilotando Uber, puto da vida com passageiros que enfiam uma bala atrás da outra na boca. Ou… Pior! Corro o risco de terminar num pet shop banhando animais de estimação, e tomando mordida de chihuahua de madame – aqueles monstrinhos de olhos esbugalhados, sabe? E eu quero mesmo continuar a escrever, juro.

Não tem ideia do que colocar na matéria? Don´t worry, já preparei tudo para você, basta dar ctrl C + ctrl V no seguinte texto:

Ricardo Coiro, escritor e comedor compulsivo de doce de leite, sumiu misteriosamente após lançar seu terceiro livro. Em seu escritório ele deixou uma estátua do Rubem Fonseca, algumas migalhas de Oreo, uma coleção de meias exóticas avaliada em dezesseis reais e restos de café esquecidos.

Após uma conversa com um amigo, que não quis se identificar, a polícia suspeita de viagem interplanetária; já que o Coiro fazia um curso de construção de naves ministrado pelo Rodrigo Hilbert e, em bares e padarias, vivia a perguntar: “Será que tem sushi em Marte?”.

Há, ainda, outra hipótese: Ricardo pode estar envolvido com a “Máfia do Manjericão” – uma gangue especializa em roubar e revender manjericão a cozinheiros de YouTube que precisam apenas de algumas folhinhas, gente cansada de comprar aqueles buquês imensos vendidos nos supermercados que, no dia seguinte, inevitavelmente murcham e escurecem.

Ricardo foi visto pela última vez em Florianópolis, de botas na praia e segurando um picolé de limão em processo de derretimento como se portasse um mamba-negra recém-capturada: talvez por medo de acabar manchado. De acordo com a garçonete de uma padaria que ele frequentava, Coiro já vinha apresentando comportamentos suspeitos há meses, como pedir pão francês recheado de leite condensado e mergulhar pão com manteiga no café com leite.

Câmeras de segurança da rodoviária de Rolândia, no interior do Paraná, flagraram Coiro pela última vez. Ele vestia suspensórios de bolinhas e reclamava em voz alta da secura da esfiha que comia. “Puta massa seca!”, ele berrava, cuspindo farelos de carboidratos e restos de frango repletos de sódio.

Um último e não menos importante detalhe deixa o caso ainda mais curioso: antes de evaporar, com um batom da namorada, ele escreveu “Eu me recuso a virar youtuber para vender livros” na parede da sala, ao lado de um quadro de frutas que ganhou da avó.

Por onde andará o Coiro? Junto com Belchior, Bowie, Elvis e Jim Morrison em uma ilha secreta do caribe desfrutando drinks e orgias? Tentando colonizar Marte por medo de o Trump acabar com a Terra? Comendo coxinhas pelo topo em um boteco perto de você, disfarçado de com aqueles óculos que vêm com nariz de batata?

Ou tudo não passa de um plano mirabolante para vender mais livros, já que, atualmente, vende mais quem mais aparece, independente do motivo, mesmo quem nem sequer escreve o próprio livro – nunca ouviu falar de escritores-fantasmas?

Fica o mistério. E fica, também, o LINK do livro mais recente lançado pelo Coiro, ainda em pré-venda. Pois nele, de acordo com especialistas, pode estar a solução para a pergunta que não quer calar: Cadê o Coiro?

Obs: O João Schoba, editor do Coiro, está muito preocupado. Desde que Ricardo sumiu ele já emagreceu sete quilos. Será parte do plano do Coiro? Ou sera que João, de fato, tem medo de o Coiro não reaparecer antes de Bienal, onde já foi confirmado?