Como saber se sua relação tem futuro?

“Ele é dez anos mais velho do que eu, Coiro… Você acha que a nossa relação tem alguma chance de dar certo?”, perguntaram-me outro dia. Na semana seguinte, fizeram-me uma pergunta muito parecida: “Ele não me manda mensagens desde o final de semana passado, será que já desencanou de mim?”. E não foram as únicas vezes em que recebi questionamentos do tipo, acredite.

O que eu costumo responder? Geralmente, digo que não tenho bola de cristal e que não creio em gente que afirma ser capaz de prever o futuro. O que mais eu posso falar às pessoas que, de mim, esperam previsões milagrosas? Se a moça do tempo – que é auxiliada por moderníssimos aparelhos científicos – vive a me fazer passar frio, fico imaginando o estrago que poderá ocorrer se, por algum lapso de loucura, eu decidir sair por aí cuspindo previsões amorosas, do tipo: “Ele gosta de amarelo e você de verde, certo? Então o namoro de vocês vai terminar em bebê cabeçudo e sofá destruído por um filhote de labrador babão”. Ou algo como: “Sapatênis? Desista dele. Um ser assim nunca ornará com as suas rasteirinhas douradas!”. Aliás, morro de raiva daquelas pessoas que colam promessas absurdas (“Trago o seu amor de volta em dez dias”) nos postes de Sampa. Tenho tanta raiva que, vez ou outra – quando estou precisando dar uma despressurizada na mente -, eu passo uns trotes para o Pai Emílio – ou a algum dos muitos charlatões que estão à solta por aí, transformando desespero – e ingenuidade – em grana.

É claro que, em alguns casos, até mesmo um comedor compulsivo de sushi como eu é capaz de perceber que há pouca – não disse nenhuma, reparou? – chance de uma relação dar certo. Um exemplo? Você é bióloga e ele curte caçar rinocerontes em extinção. Aí, meu bem, eu não preciso ser um X-Men para dizer que vai dar merda. Entretanto, na maioria dos casos, só há um jeito de descobrir o que acontecerá: deixando acontecer, oras. Peço perdão pela redundância e pela aparente obviedade, mas é a mais pura verdade. Se você é do tipo que prefere conselhos à la Mestre dos Magos, posso até repetir de maneira mais poética/filosófica/misteriosa: sem correr os riscos inerentes à escalada, não há como conhecer a alegria de chegar ao cume. Curtiu? Aposto que a palavra “cume” fez você pensar besteira.

Não sei se isso é coisa da nossa geração ou se é assim desde a época dos manos das cavernas, mas percebo que grande parte das pessoas não está disposta a correr riscos, como se fosse possível chegar a algum lugar passando apenas por estradas de curvas previsíveis e buracos mapeados. Como se pudéssemos obter a certeza de que chegaremos lá – onde quer que lá seja! – antes mesmo de darmos o primeiro passo. Coisa que não é! Ainda não, melhor dizendo. Vai que… Né?

Eu sei que o seu coração já está todo remendado e que você morre de medo de não conseguir colar os cacos da próxima vez em que um desamor despedaçá-lo, contudo, se pretende entrar apenas em relações que não oferecem risco algum de deixá-la aos prontos e com vontade de se afogar em potes de sorvete, compre um boneco inflável ou construa um namorado virtual. E aceite que você não está preparada para o universo real. Por quê? Ainda me pergunta? Porque os prazeres verdadeiros são alcançados por aqueles que não ficam congelados diante da possibilidade de uma frustração. Ah, saquei! Você só embarcará no trem perfeito, é isso? Então procure um banquinho confortável, pois ele pode demorar a vida toda para passar. Ou mais, se é que há alguma depois desta!

Por mais que existam ótimos tutoriais e textos cheios de teoria espalhados pelo mundão, não podemos descartar um fato: algumas descobertas – e aprendizados – só são possíveis quando colocamos a coisa em prática, quando saímos do campo do “E se…”.

Um conselho? Em vez de tentar descobrir se ele é o homem da sua vida por meio de quizzes idiotas (“Descubra agora se ele é o homem ideal para você!”), biscoitos da sorte ou escritores como eu – que nada sabem da sua vida -, procure a resposta nos momentos em que estão juntos, praticando o amor e derivados deliciosos dele. Ainda não pratica nada além de sonhos com ele? E o que está esperando? Hein?