10 motivos para namorar uma mulher mais nova

O título não passa de uma pegadinha. A imagem também. Sorry! Contudo, diferente do que pode estar pensando, ele não foi escolhido apenas para chamar sua atenção, novinha – ou vovozinha! – da minha timeline. A real razão: em minhas extensas navegações por este mar de memes e conteúdo duvidoso, eu tenho me deparado com vários textos que tratam grupos como “balzaquianas” e “novinhas” de maneira extremamente rasa e generalista, desprezando as tantas particularidades apresentadas pelos seres que os formam.

Como alguém pode, com o mínimo de seriedade, escrever um texto cujo objetivo é dar razões para namorar uma mulher mais nova, por exemplo? Em minha concepção, é o mesmo que dizer: “Todas as novinhas agem de maneira idêntica, independente dos inúmeros fatores capazes de moldar personalidades humanas aos quais foram expostas”. Percebe a imbecilidade? Agrupar seres tão complexos e cheios de personalidade por quesitos como “idade” não faz o mínimo sentido.

Há mulheres de vinte anos realmente dispostas a levar uma relação a sério, e existem, também, as moças de vinte anos que só querem brincar com o coração alheio; certas balzaquianas têm crises de ciúme que deixam a casa cheia de cacos, e algumas moças nascidas em noventa e oito já aprenderam a controlar a vontade de não dividir o parceiro com mais ninguém na galáxia. E por aí vai… Tornando superficial – e perda de tempo – qualquer “conteúdo” que leva apenas a idade em consideração na hora de falar sobre universos profundos e cheios de variáveis como os relacionamentos.

Em um texto que cita desvantagens de namorar uma mulher mais nova, por exemplo, aparecem coisas como “Você tem responsabilidades corporativas que ela não tem”, “O homem precisa progredir, não regredir”, “Você vai ganhar o apelido de tiozão”. No mínimo, bizarro. Não acha? Então quer dizer que todos os homens de quarenta e cinco têm maiores responsabilidades profissionais do que as moças de vinte e cinco? Namorar uma mulher mais nova é regredir em qual ponto de vista, alguém me explica? Deixar de ouvir o coração por medo de ser chamado de “tiozão”? Quanta generalização besta. Ah, sem contar que a mesma lista contém a seguinte pérola: “Você já viveu a fase das baladas”; dando a entender que não há mulher mais nova no mundo que curta um programa mais diurno, nem homens mais velhos apaixonados pela vida noturna.

Num outro texto do tipo, que menciona razões para namorar uma mulher mais velha, li coisas como “Chega de Drs” e “Interesseiras? Aqui não!”; como se o passar do tempo, necessariamente, fizesse com que todas as mulheres desencanassem de discutir o relacionamento e parassem de valorizar aquilo que é material. Mas nem sempre é assim, né? Porque os seres humanos são únicos, reagem ao girar dos ponteiros e às experiências vividas de maneiras singulares, e os números que apresentam no documento de identidade não são suficientes para decidirmos se uma relação vale a pena. É óbvio que certas diferenças de idade são impeditivas, e até ilegais, mas o objetivo deste texto não é focar nelas, ok? O que quero, de fato, é deixar uma opinião: para um relacionamento dar certo, independente da diferença de idade entre os envolvidos, o importante mesmo é a vontade de fazer a coisa acontecer.

Tanto faz se ela é mais nova, mais velha ou da mesma idade. O importante, de fato, é a sintonia que vocês têm e, principalmente, se estão realmente dispostos a ceder para evitar embates desnecessários e destruidores. Saca? Se a convivência é agradável e ela lhe dá onda, que diferença faz os dez anos a mais que ela viveu? Se ele a respeita e faz com que se sinta querida, por que se preocupar com os idiotas que vão chamá-la de “papa anjo”?

Para de dar importâncias às listas que, baseadas apenas em achismo, tentam nos reduzir a só isso ou apenas aquilo. Elas foram feitas por gente que nem sequer sabe nosso nome, que não tem ideia do que faz o nosso tum-tum ecoar mais forte. Aliás, que tal ouvir mais seu coração e menos o resto do mundo? Porque ele, com certeza, sempre vai lhe dar o seguinte conselho: namore quem lhe faz bem – o verdadeiro título deste texto.